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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

OS ESPORTIVOS, OS ESPORTIVADOS E O "MISTO QUENTE"

Para quem gosta de carros esportivos, chega a ser triste verificarmos a história de nosso Chevette frente aos "Chevettes" europeus e asiáticos. Pois enquanto Opel Kadett, Vauxhall Chevette e Isuzu Gemini tiveram versões realmente esportivas, nós e os australianos nos contentamos com versões apenas "esportivadas", ou seja, com faixas na pintura, rodas mais largas, painel com mais instrumentos, padronagens de tecidos diferentes, volante de direção esportivo, etc., só que debaixo do capô "roncava" o mesmo motor do restante da linha. Assim foi com os Chevette brasileiros GP e GP II e com o australiano Holden Gemini ZZ/Z... Com o nosso Chevette S/R foi um pouco diferente: seu motor era ligeiramente mais potente que o do restante da linha, pois possuía carburador de corpo duplo, mas, não demorou muito para a GM brasileira adotar o carburador duplo em toda a linha Chevette, ficando, mais uma vez, a versão esportiva do Chevette apenas um Chevette "esportivado".




Exemplos de Chevettes "esportivados": Chevrolet Chevette GP I e GP II (Brasil); Chevrolet Chevette S/R (Brasil) e Holden Gemini ZZ/Z (Austrália) - são automóveis com acabamento esportivo, porém contam com a mesma mecânica  das outras versões, o que lhe conferia desempenho idêntico (e, muitas vezes, inferior, devido ao maior peso) às versões não-esportivas.
















Na Europa foi bem diferente: na Alemanha, por exemplo, o Opel Kadett type C (equivalente ao nosso Chevette) foi produzido em sua grande maioria com um motor de 1,3 litro e cerca de 65 CV de potência. Mas houveram versões realmente esportivas com motores de 1,6 litro e 70 CV de potência; 1,9 litro e 105 CV de potência e, substituindo este último, 2 litros e 120 CV de potência

Opel Kadett GT/E 1975: motor 1,9 litro com 105 CV



Opel Kadett Rallye 1977: motores 1,6 litro com 70 CV e 2 litros com 120CV

Opel Kadett GT/E  1977: motor 2 litros com 120 CV

























Na Inglaterra tivemos nada mais, nada menos que os Chevettes de série mais potentes do mundo: a começar pelo Vauxhall Chevette HS, lançado em 1977, derivado da versão que competia nos rallies europeus (que se chamava Chevette HSR). O HS tinha um motor de 2,3 litros multiválvulas com potência de 200 CV (devidamente amansado, já que na versão de rally a potência girava entre 240 CV e 280 CV). Em 1982 surge um novo Chevette esportivo inglês, chamado Chevette Black Magic (já visto neste blog, no post "A MAGIA NEGRA DO CHEVETTE"), com pintura exclusivamente negra, apêndices aerodinâmicos, interior em couro e madeira e, o principal, um motor de 2,3 litros multiválvulas rendendo, agora, 230 CV de potência (mais potente que os esportivos de griffe da época como BMW M3, Mercedes 190 E, Audi Quattro e Alfa Romeo Sprint)

Vauxhall Chevette HS: motor 2,3 litros com 200 CV
Vauxhall Chevette Black Magic: motor 2,3 litros com 230 CV

































No Japão tivemos o Isuzu Gemini ZZ/R, que, ao contrário do Gemini ZZ/Z australiano, tinha um motor diferenciado em relação ao restante dos Gemini: em sua primeira geração, surgida em 1975, possuía o mesmo motor 1,6 litro do restante da linha, porém afinado para atingir os 100 CV de potência (as outras versões tinham cerca de 70 CV de potência). Em 1980 o Gemini ZZ/R ganha um motor exclusivo... Trata-se de um 1,8 litro multiválvulas com 130 CV. Entre 1981 e 1984 o Gemini ZZ/R era vendido nos Estados Unidos como Isuzu Impulse como um esportivo compacto.
Isuzu Gemini ZZ/R 1975: motor 1,6 litro com 100 CV.



Isuzu Gemini 1980: motor 1,8 litro multiválvulas com 130 CV
Isuzu Gemini ZZ/R 1983: motor 1,8 litro multiválvulas e 130 CV


Fica difícil de "engolir" por quê raios nos países onde o carro teve versões esportivas o motor era bem diferente do motor das versões ditas "comuns". Falta de recurso? No caso do Brasil: Não mesmo!!!
Explico a razão: Desde 1980 a General Motors de Brasil fabrica o motor chamado Família II, que é o motor que equipou nossos Monza... Mas aí algum leitor mais atento irá me chamar a atenção: "Como assim desde 1980 se o Monza só foi lançado em 1982?". A resposta é surpreendente: Por incrível que possa parecer, o motor Família II era fabricado no Brasil para ser exportado para a Europa, equipando o Opel Kadett Rallye 1,6 litro, visto neste post, e o Opel Ascona, que veio a ser o nosso Monza dois anos mais tarde... Até hoje o Família II está presente no Chevrolet Vectra e, também, com sua cilindrada reduzida e renomeado de VHC, nos Celta, Prisma e Classic.

Opel Ascona 1.6  de 1980, fabricado na Alemanha: muito provavelmente equipado com motor brasileiro.
A GM do Brasil bem que poderia ter equipado o nosso Chevette com esse motor para lançar uma versão realmente esportiva, com o motor 1,6 litro do Monza devidamente afinado, com um carburador de corpo duplo e um comando de válvulas com maior tempo de abertura, fazendo-o alcançar cerca de 100 CV de potência.
Mas se fosse o caso de não querer abrir concorrência interna, poderia muito bem lançar no mercado o Chevette com o motor que ficou popularmente conhecido como Misto Quente, que é, na verdade, o motor do Chevette, como o conhecemos,  equipado com o cabeçote completo do motor Família II do Monza, já que isso foi um verdadeiro sucesso nas competições de rally, rendendo ao Chevette o campeonato e o vice-campeonato brasileiro de rally de velocidade de 1984 pelas mãos dos duplas Sady Bordin (piloto) / Tuca Cunha (navegador) e Cézar Villela (piloto) e José Baranowski (navegador) (ver post "COMPETIÇÕES NO ASFALTO E NA TERRA"). 
Tal preparação rendia ao Chevette de 1,6 litro 125 CV de potência... Nada mal para um esportivo de rua, não acham? E uma potência nem tão absurda para a época, já que o Volkswagen Passat GTS 1.8 beirava os 100 CV.


Tal adaptação para transformar o motor do Chevette num "Misto Quente", é mais simples do que parece, bastando apenas colocar o cabeçote completo do Monza no motor do Chevette. Assim, num motor 1,6 litro do Chevette já se chega perto dos 110 CV. Pode-se também lançar mão do cabeçote do extinto Vectra GSi, com 16 válvulas, no entanto, neste caso, por ainda não ser tão difundida, na época, a tecnologia dos comandos de válvulas variáveis (e o Vectra GSi não o possuía), o motor ficará um tanto "chôcho", com pouco torque em baixa rotação... Mas caso resolva-se utilizar um turbocompressor, problema resolvida, já que o turbo faz com que o motor atinja altas rotações mais rapidamente.

foto tirada do site: www.chevetters.com


Alie esta receita com a dada no post "CHEVETTE 1.7 (SEM ALTERAR O DOCUMENTO)"  e ultrapasse os 150 CV sem o uso de turbocompressor.

ORGULHOSAMENTE SUL-COREANO

Numa época em que os automóveis sul-coreanos eram vistos com certa desconfiança (algo que ainda acontece com os carros chineses hoje em dia), o grupo GM adquire a indústria local Daewoo. O casamento entre a GM e a Daewoo durou até 1992, mas ainda assim deixou muitos resquícios da passagem da gigante norte-americana em solo asiático... Vide o Chevrolet Spark, que é, na verdade, o Daewoo Matiz (que a chinesa Chery plagiou com o modelo QQ, que hoje em dia chega às toneladas ao Brasil)





















Mas o primeiro produto fabricado pela Daewoo com chancela GM foi um veículo leve de carga, que já vimos aqui no blog, no post "CHEVETTE DE CARGA", que levava a marca de uma subsidiária da Daewoo: o Daewoo Saehan Max, em 1977.


Algum tempo depois, em 1982, surge o Saehan Bird, com um motor de 1,3 litros e cerca de 50 CV de potência... Este sim, um carro de passeio, muito semelhante ao nosso pequeno clássico Chevette, porém somente disponível na versão sedan de quatro portas.


















Pouco tempo depois o carro passa a ter uma versão legítima Daewoo: o Daewoo Maespy, com motor de 1,5 litros e 60 CV de potência. Em 1985 o carro recebe um face-lift e passa a se chamar Daewoo Maepsy-Na. Com acabamento mais aprimorado e um certo nível de luxo, o carro foi um dos mais vendidos em seu país de origem.

















Em 1989 é decretado o fim do Maepsy-Na. Para substituí-lo surge o Daewoo Pontiac Le Mans, que foi vendido em quantidade considerável também nos Estados Unidos e no Canadá, onde substituiu, em parte, o Chevrolet Chevette e o Pontiac Acadian (que era o mesmo carro, só que com marcas diferentes). O Le Mans era, na verdade, o bom e velho Kadett que tanto conhecemos aqui no Brasil, com a diferença de contar com uma versão sedan de quatro portas.



















Com o fim do "casamento" Daewoo / GM,m em 1992, a indústria sul-coreana resolve introduzir seus próprios produtos na Europa: assim surgiu o Daewoo Nexia, que na verdade, nunca deixou de ser o bom e velho Kadett que conhecemos... Teve suas vendas bem alavancadas nos países que formavam o antigo bloco da União Soviética.





















Após o encerramento da produção do Nexia, surgiu o luxuoso Nubira... Foi na época em que a indústria sul-coreana de automóveis começara a se consolidar como uma indústria que não fabricava mais cópias de montadoras estrangeiras.
O Daewoo Nexia surgiu em 1997 e era um automóvel de médio porte, muito vistoso, em versões sedan de quatro portas e perua de cinco portas... Embora bem diferente dos produtos GM, era inegável sua semelhança com os automóveis Opel europeus, principalmente com o Opel Astra e Vectra de primeira geração.




















Com a crise financeira que assolou a Coréia do Sul em 1998, a Daewoo, que fabricava computadores, equipamentos de som e outras coisas mais além de automóveis, não resistiu e sucumbiu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

DEPOIS DE UM LONGO INVERNO

Peço desculpas aos amigos leitores e seguidores pelo tempo que o nosso blog não apresenta novas postagens... Mas explico que se trata de um bom motivo: 
Aconteceu uma tremenda correria no último mês, por conta de idas e vindas à obstetras, hospitais, roupinhas, quilos e quilos de fraldas até que, na última segunda feira nasceu Lorena, minha filha, sorocabana (e que nasceu justamente no aniversário de Sorocaba), com 49 cm de altura e pesando 3,340 kg (digamos que está na categoria médio-ligeiro).


Então, em decorrência do nascimento desta futura "chevetteira" (que vai dar muitas voltas no Chevette do papai), o nosso blog ficou meio que "hibernando". Mas tão logo a "poeira assente", estarei preparando mais matérias a respeito do nosso querido carrinho.

Um abraço a todos

terça-feira, 2 de agosto de 2011

NOME E SOBRENOME

Que o Chevette foi o primeiro automóvel realmente mundial da General Motors, já vimos em posts anteriores. No entanto essa empreitada teve alguns obstáculos, sejam culturais, sejam por questões econômicas e de logística, que não permitiu que fosse fabricado um modelo exatamente idêntico ao redor do mundo... Por exemplo: na época, o Brasil dava preferência aos modelos de duas portas, enquanto o restante do mundo preferia os modelos de quatro portas; na Europa e América Latina dava-se preferência à transmissão manual, enquanto nos Estados Unidos, Canadá e Austrália praticamente só se vendia automóveis dotados de transmissão automática.
Mas há outro detalhe importante nessa regionalização de mercado, e um detalhe muito importante, do qual este post tratará: o nome do carro.
A seguir o nome do automóvel, que conhecemos por Chevette, quando comercializado em outros países.


Opel Kadett - Europa, com exceção da Inglaterra
Vauxhall Chevette - Inglaterra

Holden Gemini - Austrália

Isuzu Gemini - Japão

Isuzu Opel / Buick Opel - Estados Unidos

Chevrolet Chevette - Estados Unidos

Pontiac T-1000 - Estados Unidos / Pontiac Acadian - Canadá

Isuzu I-Mark / Impulse (versão esportiva) - Estados Unidos (carro fabricado no Japão)
Opel K-180 - Argentina

GMC Chevette - Argentina (1992 a 1994) e América do Sul  (carro fabricado no Brasil)

Chevrolet San Remo - Colômbia / Chile / Equador (carro fabricado no Brasil)
Aymesa Cóndor - Equador (carro fabricado no Brasil e transformado no Equador, com dianteira inspirada no Vauxhall Chevette inglês)

Grumett Coupé - Uruguai (Carroceria provavelmente alemã, do Opel Kadett Coupé, dianteira equatoriana ou uruguaia e motor brasileiro)


Saehan Bird / Daewoo Maepsy / Maepsy-Na - Coréia do Sul


Opel Gemini - Malásia (carro fabricado no Japão)

Observação: Informações retiradas do site Best Cars Wev Site.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O CHEVETTE ANTIGO E OS IMPORTADOS

Neste "post" não venho publicar nada específico sobre o nosso querido clássico da GM, mas sim apenas observar uma curiosidade que acontece nas ruas da minha cidade.
Não, não vou malhar o trânsito e os pseudo-motoristas, cada vez mais inaptos a conduzir um automóvel, mesmo a baixa velocidade (não sei se isso acontece no Brasil inteiro, mas aqui em Sorocaba sinal de seta e espelhos retrovisores são equipamentos cada vez menos usados pelos motoristas, chegando quase a se tornarem equipamentos obsoletos)... mas isso já é assunto para outra crônica, em outro blog.
Aqui venho falar sobre os pontos positivos de possuir um automóvel antigo:
Poucos dias atrás resolvi, finalmente, colocar minha família dentro do meu velho Chevybrown (meu Chevette marrom, de 1979) para um passeio curto, dentro da cidade mesmo, até a casa de meus sogros.
Caros leitores. Posso dizer, sem medo, que foi uma sensação quase orgásmica ser notado por todos na rua, como se dentro do velho "Chevettinho" estivesse alguma celebridade: No trânsito não tinha uma só pessoa que deixasse de olhar o belo carrinho... Mesmo porque, triste constatação, os Chevettes que têm por aqui, em sua grande maioria, estão em petição de miséria, uma verdadeira pena.
Sim, gente, há uma enorme diferença entre carro velho e carro antigo: ao desfilar em um carro antigo o seu veículo divide atenção, sem exagero algum, com máquinas caras e reluzentes, como foi o caso quando parei em um semáforo ao lado de um reluzente Chrysler 300 C (na minha opinião um dos carros mais bonitos que se fabrica hoje em dia) e reparar que tinha mais gente olhando  para o Chevette do que para o bólido norte-americano, mesmo com o meu carro faltando, ainda, muitos pormenores por fazer.

















Sim, também me pareceu um tanto absurdo, e até discrepante, essa divisão de atenção por parte do público em geral... Mas o ponto alto mesmo foi chegar à casa dos meus sogros. Explico o porque:
Minha sogra é tem verdadeira aversão por carros antigos (talvez pelo fato do meu sogro ter tido um DKW nos tempos de namoro... e não há laquê ou perfume que cubra o cheiro de óleo que invade o interior destes carros, chegando a impregnar nos cabelos e nas roupas dos passageiros e do motorista), me dando broncas cada vez maiores quando o entrava em pauta o quanto estava (e ainda estou) gastando na reforma do Chevette. Algum tempo atrás estava comentando com ela a minha intenção de comprar um Omega ou uma Suprema, já que a família vai aumentar (Lorena, minha filha, já vai nascer daqui três semanas, e o pequeno Ford Ka mostra-se insuficiente para carregar toda a indumentária entre cadeirinha, carrinho, bolsa de fraldas e et cetera, já que temos, também um filho de 17 anos). Qual não foi minha surpresa, ao chegar na casa dela e ouvir dela mesma que não precisaria comprar outro carro, já que o Chevette está lindo, melhor que muito carro zero quilômetro(!).
Propostas? Recebi aos montes! Nos semáforos, no supermercado, e até mesmo meu vizinho (que, por sinal, tem uma Mercedes Benz 450 SEL de 1975 de arrancar suspiros).
É, leitores, tudo para mostrar que vale, e muito, a pena reformar um carro antigo, seja ele qual for: resgatamos a história da indústria, nos distraímos com um hobby bem salutar (apesar de dispendioso), somos vistos como celebridades na rua e até conseguimos um feito que nem Freud consegue explicar: amansar a sogra!
Só um conselho eu dou para quem pretende reformar um carro antigo: Não façam as contas no final!!! É de enlouquecer!!! Não segui esse conselho e descobri que, até agora, com a grana que foi investida no Chevette dava para comprar não uma, mas duas Suprema série especial Diamond 4.1 com direito a banco de coura, teto solar, painel digital e otras cositas más.
Mas que valeu a pena, valeu... E muito!!!